É com uma citação de Dante Alighieri, evocando o "Inferno" (Canto I, 4-6) de sua magna opus "La Divina Commedia", que Pedro Chambel inaugura o seu segundo livro de poesia "Um instante na noite". Trazendo alusões a Fernando Eduardo Carita, Rainer Maria Rilke, entre outros cânones da poesia portuguesa, como Ruy Belo e Daniel Faria, o poeta lembra-nos que, neste breve instante que nos é dado a respirar, em um resumo da existência humana, estamos no escuro e atravessamos o deserto da existência feito quelônios, devagar e sempre, a sofrer o peso do corpo, a ter dificuldades de suportar o ar e de manter-nos de cabeça erguida durante este percurso na terra. Com o posfácio do coordenador da colecção António Carlos Cortez, o livro divide-se em três secções. Em À escuta da noite, apresentam-se 51 textos de poesia em prosa, seguidos por seis poemas sob o capítulo Palavra fendida(mutilada), para finalizar a obra com os 23 poemas encartados no capítulo Céu sem estrelas. Em Chambel, a filosofia e a religião são trazidas como matrizes estruturantes do pensamento humano, com a religião cristã, o esoterismo e a mitologia fundindo-se através das narrativas bíblicas e mitológicas que recriam, de forma alegórica, a experiência da condição humana. Como dito no posfácio, Chambel traz-nos a sede do infinito, a solidão e o silêncio, a busca da verdade interior e a compreensão de que, distantes do território edénico prometido, apenas na poesia é-nos possível dominar as artes do lembrar e do esquecer, do saber viver e do saber perder.

Pedro Chambel nasceu em Lisboa em 1961. É licenciado em História, mestre em História Medieval e doutor em História Cultural e das Mentalidades da Idade Média. É atualmente investigador do Instituto de Estudos Medievais da F.C.S.H. da Universidade Nova de Lisboa e editor da revista Medievalista. Publicou vinte e um discos de música entre obras a solo e em colaboração. Publicou Marés de Setembro e A jornada para Hidaspes (ed. Gato-Bravo, 2019 e 2024)

Um instante na noite

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É com uma citação de Dante Alighieri, evocando o "Inferno" (Canto I, 4-6) de sua magna opus "La Divina Commedia", que Pedro Chambel inaugura o seu segundo livro de poesia "Um instante na noite". Trazendo alusões a Fernando Eduardo Carita, Rainer Maria Rilke, entre outros cânones da poesia portuguesa, como Ruy Belo e Daniel Faria, o poeta lembra-nos que, neste breve instante que nos é dado a respirar, em um resumo da existência humana, estamos no escuro e atravessamos o deserto da existência feito quelônios, devagar e sempre, a sofrer o peso do corpo, a ter dificuldades de suportar o ar e de manter-nos de cabeça erguida durante este percurso na terra. Com o posfácio do coordenador da colecção António Carlos Cortez, o livro divide-se em três secções. Em À escuta da noite, apresentam-se 51 textos de poesia em prosa, seguidos por seis poemas sob o capítulo Palavra fendida(mutilada), para finalizar a obra com os 23 poemas encartados no capítulo Céu sem estrelas. Em Chambel, a filosofia e a religião são trazidas como matrizes estruturantes do pensamento humano, com a religião cristã, o esoterismo e a mitologia fundindo-se através das narrativas bíblicas e mitológicas que recriam, de forma alegórica, a experiência da condição humana. Como dito no posfácio, Chambel traz-nos a sede do infinito, a solidão e o silêncio, a busca da verdade interior e a compreensão de que, distantes do território edénico prometido, apenas na poesia é-nos possível dominar as artes do lembrar e do esquecer, do saber viver e do saber perder.

Pedro Chambel nasceu em Lisboa em 1961. É licenciado em História, mestre em História Medieval e doutor em História Cultural e das Mentalidades da Idade Média. É atualmente investigador do Instituto de Estudos Medievais da F.C.S.H. da Universidade Nova de Lisboa e editor da revista Medievalista. Publicou vinte e um discos de música entre obras a solo e em colaboração. Publicou Marés de Setembro e A jornada para Hidaspes (ed. Gato-Bravo, 2019 e 2024)